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Somos uma associação que surgiu pela gritante necessidade observada no Brasil, em especial nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste em gerar oportunidade de estudos à crianças com dificuldade de mobilidade.

Atualmente menos de 10% das crianças com algum dipo de dificuldade de mobilidade consegue concluir o ensino médio. Isso tem ocorrido, principalmente, pela falta de recursos de muitos familiares em suprir as necessidades e custos que acompanham a criança com dificuldade de mobilidade.

Observamos o empenho e carinho dos cuidadores com suas crianças, usando parte significativa de seu tempo, recurso e esforço para acompanhar as crianças em todos os afazeres, inclusive terapias e frequência à escola. Obviamente que é um prazer incrível poder ajudar aqueles que tanto amamos em todas suas tarefas, mas, ao mesmo tempo, temos consciência de que devemos formar estas crianças para que possam desbravar seu futuro o mais independente possível.

Um dos principais problemas observados é a falta da cadeira de rodas, apoio, órtese ou prótese para tornar possível que estas crianças possam frequentar as escolas e, assim, terem chance de um futuro melhor.

Foi com foco neste problema que criamos a Associação Irmãos de Rodas, uma instituição totalmente independente que fabrica e fornece gratuitamente os equipamentos básicos para essas crianças.

Temos uma oficina onde fabricamos e consertamos cadeiras de rodas e órteses simples que serão destinadas às crianças que tenham qualquer tipo de dificuldade de mobilidade, mas que não tenham condições de adquirir ou reformar seus equipamentos.

 

Testemunho por Flávio Crosara:

Em 1999 nasceu meu primeiro filho e, como na maioria dos lares, foi recebido com todo o amor do mundo. Logo nos primeiros dias percebemos algumas coisas que nos chamaram a atenção, fraqueza, uma pequena escoliose e a luxação do quadril.

Quando busquei a ajuda de especialistas fui informado que meu filho tinha uma disfunção genética rara, que ainda hoje buscamos a confirmação.

Com 1 mês de vida ele precisou fazer a primeira cirurgia, para corrigir a luxação bilateral do quadril que obrigou que ele usasse uma "armadura" de gesso que ia da altura do peito até os pés. A partir daí vivemos de prognósticos dos mais diversos possíveis, porém sempre atentos ao que seria melhor para ele.

Com quase 8 meses de vida ele tirou o gesso, isso mesmo, foram mais de 6 meses com as duas pernas, quadril, abdomem e tórax engessados. A retirada foi um alívio e uma vitória, mas os médicos sempre falando que a expectativa de vida para um problema genético tão severo era relativametne curta, dificilmente chegaria na adolescência. Você não imagina o quanto é duro ouvir isso do seu filho...

Mas o tempo passou, ele cresceu, frequentou a escola normal sempre usando a cadeira de rodas, pois nunca chegou a ter força para firmar o corpo, mesmo assim fez muitos amigos, sorriu, brincou, participou de festas da escola, por sinal sempre foi dos mais animados da turminha dele.

Aos 11 anos "ganhou" uma irmãzinha de aniversário e foi amor à primeira vista. Apesar da diferença de idade, o carinho e afinidade deles é algo que emociona qualquer pessoa.

Já com 16 anos, a irmãzinha,agora com 5 anos, chegou um dia da aula toda feliz e orgulhosa, dizendo que na escola dela quase todos coleguinhas tinham irmãos, mas ela era a única que tinha um "Irmão de Rodas"... foi realmente emocionante.

Hoje ele está se tornando maior de idade, fazendo graduação em Física e já superou todos os prognósticos de sobrevida dadas pelos médicos, ainda assim, segue forte e valente lutando contra um problema sério, mas mantendo sempre um sorriso no rosto e o olhar no futuro.

Parabéns meu filho, continue sendo sempre esse cara valente e carinhoso.

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